terça-feira, 12 de maio de 2009

Meu George Clooney Particular

Quando recebi o convite de um casamento mês passado, eu devo, não sem culpa, confessar, que mal pensei nos noivos.

A única coisa que pensei é que aquele casal é um dos elos que me une ao homem mais interessante do mundo e que, portanto, este tal homem mais interessante do mundo estaria presente nas festividades do casório.

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Antes, cabe aqui explicar, que ele é sim o homem mais interessante do mundo, mas que nem por isso eu quero ter um relacionamento com ele. Por que? Por que ele tem 50 anos e eu 22. Ok, temos casos de relacionamentos com grandes diferenças de idade que deram certo, mas não é o caso. Queremos coisas bem diferentes da vida. E também, tenho certeza que o convívio diário faria com que ele deixasse de ser o homem mais interessante do mundo rapidamente.

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O que faz dele o homem mais interessante do mundo? Bem, um cara de 50 anos, solteirão convicto, grisalho, corpo em dia, super charmoso, muitíssimo bem sucedido na vida profissional, dono de um barco e profundo conhecedor dos mares, toca piano e gaita divinamente, bom de papo... quase uma versão sul-americana e real do George Clooney.

E sei que ele gosta da minha companhia também. Temos alguns elos que nos unem socialmente e já estivemos juntos em alguns passeios de barco, em algumas viagens ao litoral, em algumas noites de muito riso, música e vinho. Sim, o cara é isso tudo.

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Recebi o convite e só conseguia pensar: “Eu tenho que estar divina nesta festa. Quero ver ele olhar pra mim e dar aquele sorriso que só ele sabe dar”.

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E assim começou a saga da escolha do vestido, dos acessórios, do penteado, do sapato... E chegou o dia do casamento. Eu, modéstia à parte, estava deslumbrante. E se não estava, estava me sentindo assim, que no fundo é o que realmente importa.

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Assisti a cerimônia na igreja e não o vi por lá... mas realmente cerimônias religiosas não são do seu feitio. Entrei no salão da festa com o meu acompanhante à tira colo, demos um pequeno giro para cumprimentar as pessoas conhecidas e sentamos em uma mesa mais recolhida.

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Deixei a poeira baixar um pouco e me retirei da mesa dizendo que iria ao toilet. Comecei a andar lentamente, percorrendo cada milímetro do salão com os olhos. Depois de uns minutos e alguma inquietação o encontrei conversando com um grupo de amigos. Ao me ver ele abre aquele sorriso enorme (ponto!) e vem andando na minha direção. Me elogia, diz o quão linda eu estou, eleva me ego às alturas, e pede que eu o acompanhe para ele me apresentar aos seus amigos.

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O papo era alguma coisa desinteressante, algo como qual o melhor carro para se comprar no momento. Meu George Clooney interrompeu a conversa e pediu a vez. “Apresento a Vocês a J., garanto a vocês sem a menor sombra de dúvidas que é a mulher mais interessante da festa”. Se é que isso era possível, meu ego subiu ainda mais. Fiquei ali naquele papo chato mais alguns minutos antes de pedir licença e retornar a minha mesa, ao meu acompanhante e à vida real. Quando pedi licença pra me retirar, um dos amigos soltou a seguinte pérola. “cara, você estava certo, ela é encantadora, só que é uma menina e não uma mulher”.

.Todos riram, o Geroge Clooney piscou pra mim, como um tio faz com uma sobrinha ao da-la permissão para sair, e minha volta a realidade foi mais rápida do que eu esperava... =P

3 comentários:

maria disse...

Aham... tio, sobrinha... vai, continua que eu juro que acredito!

Lu. disse...

Poxa, até eu brochei. Como assim, George? Essa piscadinha, isso lá é coisa que se faça?

Sunflower disse...

Ia falar que tinha voltado e proposto um incesto, mas é mentira, eu teria brochado também.

beijas