quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Diálogos imaginários


- Oi Jongleuse, precisamos conversar você não acha?

Esse nunca é um bom começo para nenhuma conversa...

- Ah, eu sei que to meio em falta com você...
- Meio? Que tipo de relacionamento é esse que você só vem me ver quando quer? As coisas não podem ser assim!
- Calma! As coisas estão difíceis pra mim... não to conseguindo mais tempo pra me dedicar... mas você sabe que quando estamos juntos é dedicação integral. É tempo de qualidade!
- Como assim não está conseguindo mais tempo pra se dedicar? E todo aquele papo de que eu te fazia bem?
- E me faz!
- Então o que vc ta falando é que não ta sendo capaz de arrumar tempo pra fazer bem a você mesma?

É... Quando até em um diálogo imaginário com a sua cama você recebe uma lição de moral, é sinal que as coisas estão realmente fora do seu lugar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Invisibilidade

Quando lágrimas e mais lágrimas escorrem pelo seu rosto em pleno local de trablho e ninguém a sua volta repara ou demostra reparar...
...É sinal de que você definitivamente se tornou invisível para o mundo?

domingo, 10 de julho de 2011

Crise

Não há dúvidas... eu posto menos quando estou feliz.



Não que os anos que passei brincando aqui no blog tenham sido infelizes.


Para. Deixa eu recomeçar. Feliz não foi uma palavra bem escolhida.


Não vou ficar justificando nada... Só contar uma história que de uma forma mais ou menos assim aconteceu comigo hoje...


Saber viver sozinha é uma arte dominada por poucos. Sentir o real prazer de não dividir com ninguém aquele momento, de absorver uma experiência sem debate ou de contemplar o nada não é uma missão fácil. Aposto que você conhece pessoas que nunca foram ao cinema sozinha ou que preferem não almoçar ao encarar um garçom e dizer “mesa pra um, por favor”.


Eu sempre me virei bem sozinha... almoço, janto, vou ao cinema, à praia, viajo. Sempre fiz isso sem nenhum trauma e até com bastante prazer. Os últimos tempos requereram bastante esforço pra que eu deixasse esse lado “lobo da estepe” de lado.


Ah, mas é fácil ser feliz sozinha em lindos dias de verão.


Eu prefiro culpar o livro que eu estava lendo... que de leitura leve e casual matou a mocinha do nada... Ou então o tempo que caiu uns 5 graus bruscamente e iniciou uma fina chuva. Se o dia de verão pode chorar, se o mocinho recém viúvo pode chorar, por que eu, sozinha num trem, não posso chorar?


Não sei de que eram as lágrimas, mas elas sufocavam... um tipo de sufoco ruim de se ter quando não há ninguém ao alcance do telefone, não com um fuso horário de 8 horas e nem sem parecer louca pelo choro cheio de soluços.


Como que pra tornar a minha narrativa ainda mais clichê e banal o trem, ao parar em uma pequena estação continuou seu caminho, e pelo visto só eu não sabia que esse caminho implicava em eu passar a “andar de costas”.


Não sei o que me sufocou... Mas voltei correndo pro abrigo do conhecido e nele fiquei o dia todo. Quando tudo passou eu me peguei pensando se tinha me tornado uma dessas pessoas que não sabem ficar sozinhas. Espero continuar tendo a solidão momentânea como uma opção. Apenas isso.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Anseio dos pés

Oi, tem alguém aí?
É que eu queria falar pra vocês que eu to um pouco preocupado com ela.
Ah, antes deixe que eu me apresente. Ou seria no plural? Acho mais adequado visto que somos uma dupla. Somos os pés dela.
Isso mesmo... os pés.
Mas deixa eu voltar ao assunto que me deixou preocupado. Hoje ela colocou o despertador pra mais cedo que o normal, quando o relógio tocou eu já me preparei pr’aquele tradicional espreguiço seguido de “só mais 5 minutinhos” quando ela pulou saltitante da cama. Você pensa que é fácil ser pé? Tive que despertar rápido para estar lá pra ela... Não ia ser bom o dia começar com um tombo.
Meio que cantarolando ela procurou alguma coisa na bolsa que eu não sei o que era. Vi que era um negócio retangular, pequeno, cabia na palma da mão... Ela seguiu pro banheiro, ligou a água fria, plugou esse negócio numa outra bugiganga e de repente uma música alta e animada tomou conta do ambiente. Enquanto o shampoo fazia espuma ela dava rodopios, pra passar o sabonete inventou poses, caras e bocas. Sabe, pés não são conhecidos por terem uma memória boa, mas eu realmente não conseguia lembrar que dia especial era hoje pra que ela estivesse tão animadinha.
Ainda enrolada na toalha e com os espelhos embaçados ela abriu a porta do banheiro e pos a se vestir ainda dançando.
Sabe, nós pés gostamos quando vocês dançam... faz uma massagenzinha gostosa, alonga pedaços nossos que vocês não usam com frequência. Nós não sabíamos o porquê, mas estávamos adorando aquela alegria toda.
Pois bem, ela abriu o armário de calças e logo fechou. Bem que nós estranhamos, dias alegres merecem vestidos. E lá foi ela pro armário de vestidos. 24 anos de convivência faz com que a conheçamos muito bem. Não precisamos nem dizer que os sapatos eram de salto alto.
O que eu estranhei foi depois de toda pronta ela voltar a abrir os armários. E especificamente uma gaveta que ela não abre quase nunca. Meia calça, collant... Ih, gente, será? Ela parecia escolher tudo com muito cuidado e foi colando umas peças na bolsa com extremo cuidado. Quando ela voltou pro armário de sapatos e foi em direção a caixa que estava lá no fundo... gelamos. Coitadinha, quase caiu com a súbita câimbra... Mas meu medo se mostrou acertado. Ela olhou pra caixa com muito cuidado e tirou de lá o par de sapatilhas pretas.
Não foi difícil juntar as peças... Collant e meia calça, sapatilhas e polainas... Ela tá planejando voltar a dançar! Sabe, nós não somos egoístas... ficamos muito felizes por ela pois sabemos o quanto ela gosta disso. Mas a verdade é que estamos com medo. Será que ela não percebe que estamos enferrujados? E se nós não correspondermos aos anseios dela? É bom que ela saiba que não sabemos mais dar piruetas e saut d’anjes, que uma ponta mais prolongada pode causar câimbras e dores no dia seguinte.
Estamos felizes por ela, mas estamos com medo de não corresponder. Tomara que nós não a decepcionemos. Mas... que comece o tal do “5, 6, 7, 8”.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Troca

Ando super satisfeita com a troca da angustia da saudade pelo friozinho na barriga da proximidade!
Recomendo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Do começo

É daquelas que se arruma bem, suas roupas são bem passadas e bem escolhidas e seu perfume é sempre estrategicamente colocado – apesar de já terem dito que nunca a viram tão bonita quanto naquele sábado que ela passou o dia de short, camiseta larga e com o cabelo preso. É inteligente, lê muito, trabalha, estuda, sai com os amigos e ainda arranja tempo para ir à manicure toda semana. Ela adora gastronomia contemporânea e medieval mas não dispensa uma miojo em noites preguiçosas ou um McDonalds pós night. Diz as frases certas e sorri quando gostaria de gritar. Adora crianças e cachorros, quer casar, ter filhos e já pensou em como seria usar seu sobrenome. Mas não se preocupe, ela sabe melhor do que ninguém o tempo de cada coisa.

Ela é daquele tipinho, sabe? Que gosta de dançar, gosta de beber, gosta de viver. Sabe quando parar mas não para até ela desejar. Ela manda na sua própria vida mas deixa você escolher o cardápio do dia. Quando você diz que não gostou da roupa dela, ela lamenta e vai assim mesmo. Sua opinião, suas escolhas, seu jeito – não tente mudar. Sabe fazer lasanha, bainha em calça e dengo. Alguns dias prefere champagne e música alta, outros prefere pizza e cobertor. Ela é uma surpresa, ela adora surpresas. É o tipo que diz preferir dar presentes do que receber, mas seu coração sempre se derrete com aquele laço vermelho na sacola. Adora jóias mas dá um imenso valor pra aquela flor que você fez com o guardanapo do restaurante.

Você não sabe o que ela viu em você, mas não duvide, ela viu alguma coisa.

Ela acredita que é uma combinação de qualidades e defeitos que formam uma receita de felicidade e, num súbito ataque de romantismo/otimismo tem vontade de dizer que você foi feito pra ela.

E foi mesmo, não? Entre 6 bilhões de pessoas, num mundo cheio de gente, lá está você, totalmente único. Para este momento da vida, seu sorriso. Para este momento da vida, o calor do seu abraço. Para este momento, o calafrio que suas mãos sobre as costas dela provocam. É o que ela pode desejar. É bom. É delicado. E é sobre isso que se constrói.

Vamos construir?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

اشتقت لك, Липсваш ми, 我想念你, Chybíš mi, Jeg savner dig, Ik mis je, Kaipaan sinua, Μου λείπεις, मैं तुम्हें याद आती है, jeg savner deg, Mi-e dor, Я скучаю по тебе, Jag saknar dig...

Tantas formas diferentes pra dizer que sinto falta do seu bom dia, sinto falta do beijo com gosto de mamão, do seu sotaque engraçado, de te ver sem poder te tocar... Das tardes sem fazer nada, das conversas sem fim, dos planos que nunca serão postos em prática...

Quando nos despedimos eu prometi pra mim mesma que só abriria mão dos nossos planos impossíveis no dia que me visse aos olhos de outro homem como me vi nos seus.Desafio complexo esse que me impus. Acho pouco provável tão cedo me ver tão plena, tão adimirada e desejada aos olhos de alguém que deseje igualmente.

Mas vida que segue. Enquanto limitações físicas nos são impostas eu descubro outras formas de desejar e me sentir desejada, de querer e ser quista, de provocar e ser provocada. Vou vivendo histórias intensas, profundas, ardentes e cheias de verdade, de proximidade...

Mas sem que isso, em nenhum momento, mude o que eu mais sinto por você... saudades.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Semelhança

Esses dias minha tia me mandou um DVD em que ela compilou alguns vídeos da minha infância.

Estou chocado como a EU de hoje é parecida com a EU de 6, 7 anos.

E não estou falando fisicamente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dando tchau

A cena era triste.

Depois de pouco mais de dois anos de relacionamento, os dois estavam sentados naquela sala mal iluminada, já descrentes de encontrar uma saída.

A conversa ali era quase protocolar. Não houve briga, não houve traição, não havia motivo para raiva... Mas também não havia mais paixão.

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A conversa durou uns 40 minutos. Tempo no qual não houve alteração de ânimos ou nos tons de voz.

Nesse ínterim, a palavra falta foi citada 32 vezes, a expressão boas lembranças (e suas variáveis bons momentos, boas recordações, boas histórias, entre outras) apareceu 18. Frases relacionadas ao medo do futuro foram usadas apenas 4 vezes (3 por ele e só uma por ela). De relevante apareceram também os nomes dos locais por onde o casal viajou neste tempo (Itaipava e Búzios foram citadas duas vezes cada, Disney teve 4 citações, enquanto as cidades gregas e italianas somaram 12 aparições).

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No mais o clima da conversa era de uma melancolia consentida por ambas as partes.

Ela chorava. Não era um choro de soluço. Talvez o mais correto fosse dizer que lágrimas escorriam dos seus olhos.

Foi nesse momento que ela pediu um minuto e saiu da sala.

Ele ficou sem entender muito bem. Não sabia se ela ia ligar pra uma amiga, se ia pra cozinha quebrar uns copos ou se procurava um pouco de privacidade pro seu choro.

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Em cinco minutos ela retornou, com o rosto limpo e os olhos inchados levemente disfarçados pela maquiagem. Não esperou nem terminar o trajeto até o sofá quando lançou:

- Vamos sair? Tomar uma cerveja?

Ele não precisou dizer uma palavra pra que ela sacasse que ele não tinha entendido aquela atitude.

- Eu não vou deixar que um período maravilhoso da minha vida acabe em lágrimas. Fomos muito felizes, vivemos e crescemos muito. É o fim de um ciclo, e pra que possamos receber o próximo de braços abertos não podemos estar de cabeça baixa. Vamos sentar, beber, agradecer pelo nosso encontro e por tudo que vivemos. Assim o fechamento desse ciclo vai ser exatamente o que ele foi: feliz.

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Aquela atitude pegou ele totalmente de surpresa. Mas ele não podia negar que fazia sentido. Só pediu que não fosse naquele boteco no qual já eram chamados pelo nome. Ele escolheu um bar relativamente novo, numa distancia andável da casa dele, pra evitar a situação desconfortável que seria o carro. Nesse bar eles haviam estado apenas uma vez e em menos de quinze minutos os dois já estavam sentados à mesa.

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Eram, sem a menor sombra de dúvidas, os goles de cerveja mais amargos da vida dos dois. Os primeiros desceram até com certa dificuldade. O papo demorou a começar a fluir com naturalidade, mas a cerveja foi ajudando... Foi uma longa noite de lembranças, elogios sinceros e pouquíssimo rancor.

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Tudo acabou num abraço apertado e foi combinado que não haveria divisão de discos ou filmes. Cada um seguiria sua vida com o que o destino quis que estivesse na sua casa naquele dia.

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Até onde soube, os dois estão bem.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

My own way


Card tirado do brilhante blog linkado ali do lado "stuff noone told me"...


O que eu posso fazer se esse é um dos meus meios prediletos de diversão?!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Enxame

E uma amiga pergunta pra outra:

Amiga 1– Então, como está o Fulaninho?
Amiga 2 – Ah, eu meio que botei o fulaninho em hold, muito complicado. Não tava funcionando. Mas sabe com quem eu saí na semana passada?
1 – Quem?
2 – Com o Beltrano, aquele amigo da Paula, lembra?
1 – Claro! Sei quem é... não sabia que vocês estavam de rolo. Mas e aquele carinha do seu prédio?
2 – Estamos naquele de flerte de elevador... Por enquanto está divertido.
1 – Que isso, heim, amiga! Ta com mel!
2 – Pode até ser... o mel atraiu um monte de abelhas, mas pica que é bom... nada! Nenhuma pica!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Retrospectiva - 23 anos


Esses dias eu fiz aniversário.
Eu não sou muito ligada nesse negócio, não... E ainda não estou na fase de me preocupar com a idade... então, pra mim nada mais é do que uma desculpa pra fazer festa.
Só que de 4 em 4 anos eu, pessoa boa de coração que sou, cedo o meu aniversário pra FIFA. É sempre complicado comemorar durante a maior festa do esporte bretão... Mas nada que não possa ser contornado com uma televisão para que os amigos possas assistir ao jogo da Argentina durante o seu churrasco.
Tirando isso, gosto de pensar no aniversário como um ano novo particular. Onde eu posso fazer minha retrospectiva, traçar meus novos objetivos...
Caramba... se eu parar pra pensar no meu último ano... não sei nem por onde começar.
No meu aniversário passado meu avô foi operado... Os efeitos da anestesia foram brabos e nos 3 meses seguintes a vida de todos que o cercam se transformou num pequeno inferno! Era cada dia uma surpresa, e quase sempre desagradável. Mas como os amigos de verdade são amigos pra vida toda, a solução do problema veio de um amigo de infância do meu avô. Quero ser uma velhinha tão querida e cercada de boas pessoas quanto ele!
Houve também uma grande surpresa... uma promoção não esperada e fora dos padrões da empresa. Reconhecimento, seguido de orgulho próprio e, é claro, mais din din. Com a promoção a definitiva alforria das terras macaenses e o retorno ao Rio. Que retorno!
Inventei de me envolver com um grande amigo... e quando estava a ponto de mergulhar de cabeça numa história que poderia me trazer muitos problemas, um outro amigo apareceu. De além mar ele veio por 2 semanas. Talvez as duas semanas mais intensas da minha vida. Muito do que eu busco hoje é sentir aquilo tudo de novo. Como se problemas culturais, e o oceano Atlântico não fossem problemas suficientes, eu resolvi testar um que tivesse 3 problemas em um só, relação de poder + muito mais velho + filhos. Por que buscar coisas fáceis, né? Eu só não posso dizer que não me diverti! Ou melhor, que estou me divertindo!
Fui a California visitar a maior fábrica de sonhos que se tem notícia e tive a melhor das overdoses. Overdose de irmão e orverdose de cinema. De quebra conheci um paraíso. Uma biblioteca de roteiros de cinema. Preciso deizer que passei dois dias trancada lá dentro?
Nesse meio tempo teve o carnaval... minha estréia foliã em terras cariocas. Teve o retorno à Chicago e à Grande Maça. Eu vi Billy Elliot, uma das coisas mais impressionantes que presenciei nos últimos anos.
Vi, ouvi, chorei, cresci, ri, gargalhei, dancei, fiquei bêbada, neguei o óbvio, sonhei, realizei... E no fim das contas, posso dizer que meus 23 anos foram fantásticos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Negação

Negar o óbvio dá muito trabalho.

Exige uma dose de auto-engano e um poder de persuasão própria sobrenatural.

Negar o óbvio dá muito trabalho.

Exige criatividade nos argumentos e em alguns casos o esquecimento do bom senso.

Negar o óbvio dá muito trabalho.

Às vezes é a melhor estratégia de defesa, outras o caminho de fuga mais fácil.

Não importa qual a razão, negar o óbvio dá muito trabalho.