quarta-feira, 9 de julho de 2008

Rota de Fuga

O vento soprava forte e chuva batia com tanta força no pára-brisas do carro que, pra enxergar alguns poucos metros a frente, ela tinha que apertar os olhos e quase colar o nariz no vidro.
Ela já tinha se afastado bastante de casa e começava a não reconhecer a maior parte das ruas por onde estava passando. Toda a consciência que ela tinha naquele momento ela usava para fugir das ruelas escuras e se manter nas vias principais da cidade.
Pouco depois de cruzar com uma linha férrea, a chuva começou a diminuir e, junto com surgimento de uns pedaços de céu azul, o ar começou a lhe faltar. Toda aquela adrenalina havia baixado e ela não sabia mais o que estava fazendo.
Com muito esforço, juntou suas últimas energias e levou o carro para o acostamento. E foi só parar o carro para que as gotas de chuvas se transformassem em lágrimas. Era um choro honesto. Misturava desespero com dúvidas. Medo e cansaço.
De pouco à pouco o corpo foi desistindo e as lágrimas foram secando. O silêncio que reinava começou a ser perturbado pelos primeiros carros que cruzavam a estrada naquela manhã. Como que saindo de um transe ela olhou em volta e não reconheceu nenhum dos elementos daquela paisagem. Não sabia nem dizer quanto tempo tinha ficado ali naquele acostamento.
Procurava na memória alguma pista e não conseguia recordar de nada...
(incompleto)

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