terça-feira, 12 de agosto de 2008

É triste, mas é verdade

Texto do Juca Kfouri, na Folha de São Paulo de Domingo (10/08), tirado na íntegra do blog dele.
Não é de hoje que o Movimento Olímpico perdeu seu idealismo. Mas Pequim passa de todos os limites

"POR QUE você não foi para Pequim?", perguntam.
"Porque não quis", respondo. Mais: estou entrando em férias e só volto aqui no dia 21.
Claro que verei a Olimpíada e até comentarei no blog, mas ando cheio de tanta hipocrisia, a começar pela caça aos que são pegos no antidoping por hábitos que só fazem mal e pioram o rendimento.
Não aceito ver essa cartolagem imunda da família olímpica no papel de fiscal dos hábitos da juventude e, ainda por cima, expondo jovens à execração pública, como acabam de fazer com um jogador do handebol brasileiro.
Como não suporto o ufanismo da maior parte das narrações, com as exceções de praxe para os felizardos que podem assinar um canal de televisão fechada, razão pela qual darei uma fugidinha do país para acompanhar Pequim de uma cidadezinha colonial mexicana apaixonante chamada Guanajuato.
Porque passa do limite ver um Carlos Nuzman fazer quase o elogio da poluição ou se jactar pela maior delegação brasileira da história, quando só 12% de nossa rede escolar tem quadras de esporte. Aliás, quanto mais medalhas o Brasil ganhar, mais ficará demonstrado o desvio de sua não-política esportiva, porque privilegia o alto rendimento em vez da inclusão social ou a saúde pública por meio da prática de esportes.
Dá engulhos ver a cartolagem em hotéis de até sete estrelas enchendo a boca para dizer que esporte e política não se misturam, quando nada foi mais político do que escolher Pequim para receber os Jogos, cidade que, além de poluída, é uma capital que se notabiliza por cercear direitos básicos da cidadania.
Tudo por dinheiro, tão simples assim.
Porque a China talvez seja o melhor exemplo, com todas as suas contradições, de como ainda não se achou um sistema razoável, tão óbvias são as mazelas do comunismo e do capitalismo reais.
É claro que verei tudo, é claro que me emocionarei com as vitórias brasileiras, como com a festa de abertura.
É evidente que torcerei para que aconteçam triunfos como nunca, porque tenho a surpreendente capacidade (surpreende a mim mesmo, diga-se) de voltar a ser criança a cada competição em seu apito inicial.
E não é de hoje.
Faço assim com os jogos de futebol lá se vão bem uns 26 anos, depois que se revelou a existência da chamada "Máfia da Loteria Esportiva".
Porque paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.
E se curte.
Sim, eu sei que serei capaz de me comover às lágrimas até com a superação de um atleta que não seja conterrâneo, como já me aconteceu inúmeras vezes.
Mas é preciso que se diga que mais que em Atlanta, quando os Jogos Olímpicos modernos comemoraram cem anos e a Coca-Cola alijou Atenas de recebê-los num crime contra a história, esta edição chinesa é um soco em quem associa o esporte à saúde e à liberdade.
Lamento sentir assim, mas quem viveu a inesquecível festa de Barcelona-1992, cujos equipamentos até hoje são utilizados por quem os pagou, os catalães, além da hospitalidade que recebeu o mundo tão bem, não pode engolir Pequim-2008.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Fill in the blanks

Ao lado do caixa do restaurante onde almoço quase que diariamente tem um porta MICA... (Pra quem não sabe, MICA são aqueles cartões postais publicitários). Vira e mexe (já disse que eu adoro essa expressão?) algum cartão me chama a atenção e eu pego pra dar uma olhada...

Hoje tinha um cartão todo cinza com um escrito em fonte de máquina de escrever. Super discreto. Exatamente por isso se destacava.

Peguei o cartão para ler e me deparei com o seguinte:

Paulo está pelado com sua amante na cama,
Quando a porta do quarto se abre
De repente. Os dois olham assustados.
É Claudia, sua esposa:

Claudia (perplexa):
- Não acredito, Paulo!
Você está me traindo?

Paulo:
- Calma, meu amor, eu posso explicar:
________________________________
________________________________*

Claudia:
- Ai, meu denguinho, me perdoa.
Como eu pude duvidar de você?


* Papare-se para contar uma boa história em pouco tempo. Vem aí o festival de curtas do AXN.


Achei a propaganda sensacional! Sutil como eu gosto!
Peguei um cartãzinho e subi com ele pro escritório. Chamei o pessoal envolta da minha mesa e propus o exercício de “fill in the blanks”. Como vocês acham que foi a resposta do Paulo...

As respostas estavam muito lugar comum até que o mineirinho pediu a palavra…

Eis a resposta dele: Eu falaria o seguinte... “Eu cheguei do trabalho cansado e fui tomar uma ducha pra dormir um pouco. Como você vive esquecendo a chave, deixei a porta aberta pra você não precisar me acordar quando chegasse. Nisso, a louca desta mulher apareceu aqui, tirou a roupa e deito do meu lado. Agora, se você não quiser acreditar tudo bem... faça exatamente o jogo dela, brigue comigo, me ponha pra fora de casa. Ela estará rindo de orelha a orelha e nós dois sofrendo. Se bem que... quem não quer ficar do lado de uma mulher que prefere acreditar em qualquer sirigaita do que em mim sou eu. Não precisa nem esquentar a cabeça. Me da meia hora que eu tiro tudo meu daqui deste quarto.”

Ai, ai... mulher é bicho burro, né...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Aprendendo

Meu afilhado é uma dessas crianças com uma inteligência fora do normal. Certa vez, ele devia ter uns 6 ou 7 anos, ele, que mora em outro estado, veio me visitar aqui em casa.

Enquanto nossas mães conversavam na sala eu entrei para terminar a arrumação de livros que estava fazendo no meu quarto. O rapazinho veio atrás.

- Bob, você desculpa, mas a Dinda não vai poder brincar agora. Tenho que terminar de arrumar esses livros...
- Tudo bem, Dinda. Enquanto espero, posso brincar com o seu tapete?

Abre parênteses (Na época o tapete do meu quarto era um grande quebra-cabeças com uma imagem do fundo do mar. Era comum crianças, e alguns não tão crianças assim, aproveitarem as visitas ao meu quarto para montar o brinquedinho) Fecha parênteses.

- Claro, meu amor.

Algum tempo depois...

- Dinda, você tem todos os livros do mundo no seu quarto?
- Ainda, não, Bob. Ainda não.
- Mais um dia você vai ter?
- Infelizmente não.
- Então não fala ainda... ainda parece que você ainda tem esperança.

Tão pequetitos e já tão sábios... não precisou de muita estrada pra entender que a expectativa caminha junto com a decepção.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Adaptação visual

É por essas e outras, pela junção da arte musical com a visual, que a cada dia que passa eu gosto mais desses caras.
Um dos melhores "vídeos musicais" que vi nos úlimos tempos.


Gnarls Barkley - "Who's Gonna Save My Soul?"

A falta de resistencia oferecida pelo rapaz, a resignação e aceitação de que sem seu amor sua vida acabou, a certeza de que nada mais será profundo e intenso o bastante...
Ao mesmo tempo, o mergulho dentro do proprio umbigo de forma tão profunda que as razões do outro não são nem ao menos ouvidas...
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E no final das contas o que é a dor de amor se não a mais egoísta das dores?

Placar final

Ainda sobre a formatura de sábado...

Como em toda boa formatura de comunicação, o placar foi disputado...

O placar final ficou: Los Hermanos 6 X 4 Chico Buarque

Déjà Vu

Esse final de semana foi bom como a muito tempo um final de semana não era...
Recheado de festa, família, amigos... emoções e vazios.

Boa parte da emoção ficou por conta da colação de grau que fui assistir sábado pela manhã. O dia era da turma 2008.1 de Comunicação Social da PUC-Rio. Um número considerável de pessoas que fizeram parte dos meus 4 anos de faculdade estava representada naquele palco. Contudo, vou ser obrigada a confessar, que a minha emoção foi bem mais egoísta que altruísta.

Entrar no ginásio da PUC me provocou um imediato déjà vu. Foi uma viagem com data certa, mas precisamente 18 de janeiro deste mesmo ano. Senti naquele momento que não tinha ido apenas assistir a colação de alguns amigos.

Foi mais ou menos como se estivesse novamente na minha formatura, só que desta vez, vendo as coisas pelo ponto de vista da platéia. Amigos vestidos de preto e azul, em boa parte os mesmo professores, o mesmo lugar, a mesma decoração, a mesma atmosfera...

Me perdia vendo detalhes que somento os olhos treinados de quem já passou por aquilo seriam capazes de ver. Como o cochicho do grupo de amigos que estava mais envolvido na euforia daquela celebração do que no discurso de um ou outro professor... Na movimentação inquieta da perna das mães ao começarem a chamar a letra do nome do seu filho... Curioso seguir o olhar do formando para ver exatamente pra quem ele vai olhar na hora de erguer o canudo. Na já tradicional seleção de fotos exibidas no telão era fácil ver o que aquele momento significava para cada um daqueles formandos... Homenagens aos pais, fim de um tempo de festas, orgulho próprio.

E conforme os rituais iam sendo cumpridos - entrada enfileirada no ginásio, hino nacional, discursos, juramento, imposição de grau, chamada nominal – eu juntava as pecinhas daquela noite de sexta-feira... Uma noite na qual, apesar de não bebido uma única gota de álcool, tenho a memória composta de flashes.

Na volta pra casa comecei a pensar em como as coisas estão passando rápido... em como tudo mudou tanto sem nem mesmo sair do lugar (de novo esta velha sensação). É muito comum, quando surge o assunto de faculdade, eu dizer que “me formei agora, no início deste ano”. Este advérbio, agora, não me pertence mais. O agora é da turma de 2008.1 e não mais da de 2007.2.

As amarras que me prendem a este passado ainda tão recente vão a cada dia ficando mais frouxas. Será que eu me darei conta no dia em que elas se soltarem de vez? Deve ser normal o fato de eu ainda me identificar mais com o mundo “estudante” do que com o mundo “profissional”... o primeiro deles tem larga vantagem em número de anos de dedicação. Mas passo a passo, mês a mês, o segundo vai ganhando seu espaço.

Torço pra não perder o pouco do idealismo que ainda me resta, para não me acomodar na prepotência dos que valorizam a pratica em total detrimento ao acadêmico, pra que a velocidade dos acontecimento no atropele a emoção que cabe em cada um deles...
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E, como sempre, meu poeta pop se incumbiu de cantar algo capaz de representar o que estava na minha cabeça no momento em que ela encontrou o travesseiro na noite de sábado...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Verde

Tomada por uma súbita consciência verde, cheguei a conclusão que eu não precisava da segunda via do comprovante que as máquinas de cartão de crédito imprimem.

A 1ª via é a do estabelecimento e, se você prestar atenção, a maquininha sempre pergunta “deseja imprimir segunda via?”. Esse pedacinho de papel colorido só servia pra decorar o fundo das minhas bolsas.

Portanto, tomada pelo orgulho que só fazer o bem pode proporcionar, comecei a encontrar dificuldades em por esta atitude em prática.

As pessoas não estão preparadas para responder “não” a pergunta feita pela maquininha... Ficam nervosas, acham que você está fazendo alguma coisa errada, e imprimem a 2ª via.

Os lugares que eu freqüento rotineiramente já se acostumaram e não estranham mais... mas os outros... É difícil tentar ser verde!

Falando em ser verde, qual o seu impacto no planeta?

Segundo um teste do WWF o um estrago é consideravelmente grande... E nem assim as pessoas me deixam não imprimir a minha via do cartão... depois a culpa do planeta ficar maluco é minha...


terça-feira, 15 de julho de 2008

Tentando entrar no ritmo

Vamos lá meninas, aquecimento!
Pelo que eu me lembro aquecimento é tranqüilo... meia dúzia de agachamentos, estica perna daqui, estica perna de lá e pronto. Aquecimento vai ser pinto!

Isso, pessoal, excelente começo! Vamos pro chão... Perna! Mais alto! Eu falei mais alto! Só mais um oito. Agora segura na cabeça... vamos lá... contando três oitos!
Como assim perna na cabeça? O que? Ta louca? Mais alto que isso eu não levanto depois... Pqp, ta dando câimbra...

Todo mundo deitando... relaxa... respira fundo!
Opa! Essa parte eu domindo!

Vamos lá, abdominais! Na regressiva... 200!
Como assim?! Pára tudo! A gente já ta na quarta música... já to mais do que aquecida! Peraí... isso é mesmo uma abdominal? Pra mim está mais pra contorcionismo...

Vamos repetir a seqüência de chão agora tudo “en dehors”?
Momento de olhar para o espelho e ver se fui a única afazer cara de desespero...

Formando... Diagonal!
Caraça... qual a necessidade dela já começar pondo a perna lá em cima?! Como ela cai no chão e levanta tão rápido?! Socorro! Rá... decorei a seqüência! To conseguindo, to conseguindo!

Vamos trocar o sapato pra coreografia, meninas?!
Trocar o sapato?! Definitivamente você pirou de vez... minha perna ta tremendo mais do que vara verde no conforto da minha sapatilha, qual a chance de eu conseguir ficar em pé numa sandália de salto fino agora!?

É isso aí meninas... excelente aula... até quinta!
Será que eu consigo chegar dirigindo em casa?! Não sinto minhas pernas...

(hino do momento - Novos Baianos e Marisa Monte - A menina dança)

A menina dança

Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar

De um lado o olho desaforo
Que diz o meu nariz arrebitado
E não levo para casa
Mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá

No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança
Dentro da menina
Ainda dança

E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiarA
té dentro de você nascer
Nascer o que há

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Rota de Fuga

O vento soprava forte e chuva batia com tanta força no pára-brisas do carro que, pra enxergar alguns poucos metros a frente, ela tinha que apertar os olhos e quase colar o nariz no vidro.
Ela já tinha se afastado bastante de casa e começava a não reconhecer a maior parte das ruas por onde estava passando. Toda a consciência que ela tinha naquele momento ela usava para fugir das ruelas escuras e se manter nas vias principais da cidade.
Pouco depois de cruzar com uma linha férrea, a chuva começou a diminuir e, junto com surgimento de uns pedaços de céu azul, o ar começou a lhe faltar. Toda aquela adrenalina havia baixado e ela não sabia mais o que estava fazendo.
Com muito esforço, juntou suas últimas energias e levou o carro para o acostamento. E foi só parar o carro para que as gotas de chuvas se transformassem em lágrimas. Era um choro honesto. Misturava desespero com dúvidas. Medo e cansaço.
De pouco à pouco o corpo foi desistindo e as lágrimas foram secando. O silêncio que reinava começou a ser perturbado pelos primeiros carros que cruzavam a estrada naquela manhã. Como que saindo de um transe ela olhou em volta e não reconheceu nenhum dos elementos daquela paisagem. Não sabia nem dizer quanto tempo tinha ficado ali naquele acostamento.
Procurava na memória alguma pista e não conseguia recordar de nada...
(incompleto)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Enfrentando um medo

Já era tarde.
Telefone em cima da mesa.
Eu olhando pro telefone.
Coração batendo rápido, quando pulando do peito.

A coragem de ligar ia e voltava mais rápido do que os dedos eram capazes de discar os números.

Em uma mão segurava firme o telefone e na outra o pedaço de papel em que o número estava escrito. Fechei os olhos e revivi alguns dos momentos inesquecíveis que a nossa relação proporcionou.

Como esquecer os seguidos frios no barriga? Aquela sensação de “dessa vez vão vai ter jeito, não vou conseguir” e a outra melhor ainda de ter conseguido superar o desafio. Você sempre me dando uma lição... Quantas pessoas diferentes você me proporcionou ser? Já perdi a conta... de aeromoça a líder de torcida, personagens de cinema, hippie, guitarrista, cigana...

Seria justo pôr novamente tantas expectativas em cima de você? Alguém que já me deu tanto... E se eu não conseguir te acompanhar mais? E se eu não for mais aquela...?

Respirei fundo... disquei o número...

- Academia de Dança, Renata, boa noite!
- (silêncio)
- Alô?
- Oi... Boa noite, Renata... Será que você poderia me dar informações sobre a turma de jazz para adultos?

Suspiros de vidro

(Achado de uns meses atrás)
Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais pro final do dia que pela manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada e com mais força conforme o sol cai. Não são pensamentos escuros embora noturnos. São tão transparentes que até parecem de vidro. Vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai quebrar em cacos, o pensamento que penso de você.

Se não fosse dormir sempre com a cabeça tão cheia, acho que esses pensamentos quase doeriam quando, durante a noite, se transformassem em milhares de cacos espalhados nos lençóis. E esses pedaços refletiriam partes da nossa história. Algumas ferem, mesmo as que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo pesado. O vidro nunca quebra.

Daí penso coisas bobas quando, através da janela do carro, depois de trabalhar o dia inteiro, me pego olhando pro lado de fora. Deixo a paisagem correr e penso um pouco mais em você. Quando o transito está muito ruim, o que acontece quase todos os dias, para não me irritar tanto, descobri um jeito engraçado de continuar pensando em você. Procuro em cada um dos pedestres que cruzam meu caminho um pedaço seu. Quais tênis poderiam ser seus, quais roupas você jamais usaria, pra onde você estaria indo ou de onde estaria vindo se estivesse naquele lugar da cidade. E fico tão embalada que chego a apertar os olhos pra ter certeza de que aqueles tênis não são mesmo seus. Nunca vejo você.

Boas e bobas são as coisas que me fazem lembrar e pensar em você. Como quando você me fez andar e andar sem que eu soubesse para onde estávamos indo pra no final tomarmos um sundae delicioso, ou quando, saindo do cinema fomos comer salada de frutas num botequim. Tem ainda o filme alemão mal legendado que desistimos de entender no meio e o frio na barriga que tomou conta de mim a primeira vez que eu retornei uma ligação sua. Vivo com pudor de parecer ridícula, melosa, piegas, brega, romântica, pueril ou banal. Mas no que penso somos um pouco disso tudo, não tem jeito. Quando revivo os momentos no meu pensamento é tudo frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmusch que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.

Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tola, meio inconstante na minha mania por constância, e penso então em tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos. Paradinhos no umbigo do universo.
Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, e é tão freqüente. Ando mais devagar, certa que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir de vez em quando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito aquela nossa velha história em voz baixa... O sono chega me embalando e antes que eu me de conta já fui dormir. E o fino vidro dos meus pensamentos mais uma vez não se quebrou.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

1º da lista

Saiu o 1º presente de aniversário do ano!

E foi dado pelo meu chefe!

Meu chefe, ou Chefo, como ele prefere, é um cara show de bola. Daqueles bons de papo, de riso fácil, que tem o maior orgulho em mostrar a foto dos filhos e contar dos programas de final de semana. Nos vemos pouco, em média duas vezes por semana... E sempre que estamos juntos o clima é bom.

Tem ainda o fato de ele ser extremamente competente, saber disso, e não ser metido por isso. Ele se preocupa em sempre me fazer entender o que passa na cabeça dele e eu adoro ir descobrindo essas coisas aos poucos.

Como não estaremos juntos amanhã, ele trouxe meu presente hoje... E não são presentes do tipo “uma blusinha” nova, são coisas delicadas que mostram que a nossa relação não é restrita ao escritório...

Foram 3 coisas delicadamente embrulhadas em um envelope de veludo azul:

1) Uma revista da turma da Mônica do mês e do ano em que nasci
2) Um livro que ele escreveu com mais 3 amigos nos tempos de escola/faculdade
3) Uma medalha de Santo Antonio

O primeiro presente surgiu da uma conversa sobre os temas das nossas festas de aniversário na infância... o tema da minha festa de 4 anos foi turma da Mônica e ele lembrou disso!
O segundo surgiu de uma conversa em que mostrei pra ele algumas das crônicas que escrevi durante a faculdade. Ele gostou e comentou deste livro que ele escreveu.
E o terceiro... bem, o terceiro é que até ele já percebeu que estou encalhada! =P