


Um circo onde o palhaço e o mágico... o equilibrista e o domador... A bailarina e o malabarista... todos são vividos pela mesma pessoa...
Eu sei que o meu telefonema soou estranho. Depois da nossa ultima conversa, eu te ligar no início da noite, em um dia de semana, horário que sei que você está trabalhando... Ainda mais pra perguntar algo tão banal como o nome de um restaurante.
Eu sei, também, que você sacou que aquele não era o real motivo do telefonema. O seu silêncio não seguido de uma despedida ao dar-me a resposta deixou isso claro. Quem se apressou dando a desculpa que tinha um guarda no cruzamento à frente fui eu.
Eu tava, pra variar, com o iPod no shuffle quando começou a tocar uma música do Leoni. O refrão dizia “porque eles nunca tiveram nem vão ter nada como eu você”. Essa música nunca foi nossa, e acho pouco provável, até, que você a conheça, mas aquilo na hora me fez todo o sentido do mundo e eu queria te falar isso.
Fiquei com vergonha, sabe como é, música de garotinha... Mas já diria o Lulu, o rei do pop de amor, que “as canções mais tolas, tendo seus defeitos, sabem diagnosticar o que vai no peito”.
Mas quando eu ouvi o “Oi” do outro lado da linha a coragem de falar de Lulu e Leoni evaporaram e tudo que me veio a mente foi te perguntar o nome daquele restaurante. Restaurante esse que eu não tenho a menor intenção de ir.
E, quer saber? A própria música do Leoni era uma desculpa. Eu queria mesmo era dizer que eu achei a resposta para algumas das suas perguntas. O negócio é o seguinte... Eu desci pro play e não sabia brincar. Achei que ia te enganar, afinal todos os jogos de pique são iguais, mas a brincadeira que você propôs era mais complicada, tinha muitas nuances e o risco, caso eu perdesse, me parecia muito alto.
Agora não tem mais como eu pegar o elevador e voltar pra segurança do meu casulo. Agora eu já fui apresentada às regras da brincadeira... Ainda da tempo de sugerir esconde-esconde?
Na verdade eu não sei se essa música é o que eu queria dizer pra ele ou se é o que eu preciso ficar repetindo pra mim mesma...
Wait – by Get Set Go
Wait, wait for the dawn my dear
Wait till the sun gets here
And you will wait too long
he will be gone
Wait, wait till the sun shines through
Wait till the sky is blue
And you will wait too long
he will be gone, he will be gone
Ooh, he will be gone
Ooh, he will be gone
Wait, wait till the signs are right
Wait till the perfect time
And you will wait too long
he will be gone, he will be gone
Ooh, he will be gone
Ooh, he will be gone
La la la la la ...
Wait till you don't doubt no more
Wait till you know for sure
And you will wait too long
he will be gone...
Pois então... eu fui no show do Roberto Carlos.
Entre as quase 70mil pessoas que estiveram no Maracanã este sábado, eu eram uma delas.
Eu fui levando a minha avó, mas mesmo que ela não quisesse ir eu teria estado lá.
A verdade é que eu nunca gostei do Roberto Carlos... Por sinal, da trinca de “reis” brasileiros (Xuxa, Pele e Roberto Carlos), pra mim, nenhum se salva. É a velha máxima de “cada povo tem os reis que merece”.
Lembro que quando pequena era um sofrimento assistir ao especial de fim de ano com a minha avó. Só não era pior porque com os primos reunidos sempre saia alguma besteira, como os mil planos que tínhamos para conseguir ver a perna mecânica dele.
Mas a culpa não é minha... A época de Roberto Carlos que conheci foi uma época em que ele cantava sobre “Mulheres de óculos”, “Mulheres gordinhas”, “Mulheres de 40”. Todas música iguais, mudando apenas o refrão. Fora que eu sempre amei performances, e aquele cara cantando estático no palco, com aquele cabelo de Chitãozinho, e aquele bater de palmas esquisito sempre me irritou.
Até que conheci um certo rapaz.... Sempre os rapazes... Este em especial amava as músicas do Roberto Carlos. E foi com ele que conheci as grandes pérolas compostas e interpretadas por RC. Foi este rapaz que me mostrou que ele era mais do que aquelas músicas lançadas como justificativa para um CD novo a cada natal. E por mais que as melodias por muitas vezes me parecessem repetitivas ou simplórias não havia como negar que o cara era um poeta.
Por isso quando soube do show no Maracanã disse na mesma hora que estaria lá. Daria a chance para que o tal “rei” me conquistasse.
Fui ao show. Gostei do que vi. Me emocionei com a emoção da minha avó. Me diverti com o público vestido de gala em um ambiente usualmente freqüentado por “ogros”. Mas ainda não consigo entender como alguém com tão pouco carisma pode ter virado rei. Ele não se reinventa, ele não surpreende, ele fica sempre no previsível, e ainda pior, ele tem uma péssima dicção. Com a entrada do Erasmo Carlos no palco tudo isso ficou ainda mais gritante.
Mas sim, eu fui ao show e eu gostei do show. Sabia todas as músicas, bati palmas, cantei de olhos fechados e ri de forma cúmplice para os outros jovens que se sentiam deslocados naquele Maracanã da terceira idade. O talento e a riqueza destes 50 anos de careira de RC são inegáveis, mas tenho que confessar que ele não conquistou mais uma súdita.