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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Anseio dos pés

Oi, tem alguém aí?
É que eu queria falar pra vocês que eu to um pouco preocupado com ela.
Ah, antes deixe que eu me apresente. Ou seria no plural? Acho mais adequado visto que somos uma dupla. Somos os pés dela.
Isso mesmo... os pés.
Mas deixa eu voltar ao assunto que me deixou preocupado. Hoje ela colocou o despertador pra mais cedo que o normal, quando o relógio tocou eu já me preparei pr’aquele tradicional espreguiço seguido de “só mais 5 minutinhos” quando ela pulou saltitante da cama. Você pensa que é fácil ser pé? Tive que despertar rápido para estar lá pra ela... Não ia ser bom o dia começar com um tombo.
Meio que cantarolando ela procurou alguma coisa na bolsa que eu não sei o que era. Vi que era um negócio retangular, pequeno, cabia na palma da mão... Ela seguiu pro banheiro, ligou a água fria, plugou esse negócio numa outra bugiganga e de repente uma música alta e animada tomou conta do ambiente. Enquanto o shampoo fazia espuma ela dava rodopios, pra passar o sabonete inventou poses, caras e bocas. Sabe, pés não são conhecidos por terem uma memória boa, mas eu realmente não conseguia lembrar que dia especial era hoje pra que ela estivesse tão animadinha.
Ainda enrolada na toalha e com os espelhos embaçados ela abriu a porta do banheiro e pos a se vestir ainda dançando.
Sabe, nós pés gostamos quando vocês dançam... faz uma massagenzinha gostosa, alonga pedaços nossos que vocês não usam com frequência. Nós não sabíamos o porquê, mas estávamos adorando aquela alegria toda.
Pois bem, ela abriu o armário de calças e logo fechou. Bem que nós estranhamos, dias alegres merecem vestidos. E lá foi ela pro armário de vestidos. 24 anos de convivência faz com que a conheçamos muito bem. Não precisamos nem dizer que os sapatos eram de salto alto.
O que eu estranhei foi depois de toda pronta ela voltar a abrir os armários. E especificamente uma gaveta que ela não abre quase nunca. Meia calça, collant... Ih, gente, será? Ela parecia escolher tudo com muito cuidado e foi colando umas peças na bolsa com extremo cuidado. Quando ela voltou pro armário de sapatos e foi em direção a caixa que estava lá no fundo... gelamos. Coitadinha, quase caiu com a súbita câimbra... Mas meu medo se mostrou acertado. Ela olhou pra caixa com muito cuidado e tirou de lá o par de sapatilhas pretas.
Não foi difícil juntar as peças... Collant e meia calça, sapatilhas e polainas... Ela tá planejando voltar a dançar! Sabe, nós não somos egoístas... ficamos muito felizes por ela pois sabemos o quanto ela gosta disso. Mas a verdade é que estamos com medo. Será que ela não percebe que estamos enferrujados? E se nós não correspondermos aos anseios dela? É bom que ela saiba que não sabemos mais dar piruetas e saut d’anjes, que uma ponta mais prolongada pode causar câimbras e dores no dia seguinte.
Estamos felizes por ela, mas estamos com medo de não corresponder. Tomara que nós não a decepcionemos. Mas... que comece o tal do “5, 6, 7, 8”.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Família

Uma parte da minha família sempre morou fora do país. Eles, todos os anos, voltavam ao Rio para a temporada de natal e ano novo fazendo com que esses 10 dias fossem os mais esperados do ano. A reunião dos primos.

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Depois de 16 anos fora do país, aos 26 de idade, minha prima, e uma das minhas melhores amigas, resolveu passar um ano na sua terra natal.

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Recebi a notícia com muita alegria, afinal tê-la pertinho de mim era mais do que um sonho, mas ao mesmo tempo fui tomada de uma grande preocupação. Fiquei com medo dela achar que a vida em família era aquela harmonia que ela via 10 dias por ano e não estivesse preparada para o que vinha pela frente. Uma semana antes dela chegar ao Rio escrevi um e-mail o qual reproduzo um pedaço aqui:

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“...hoje ela ta voltando pra casa... Eu não sou mais a criancinha de 4 anos que ela deixou... de lá, já se passaram 16 anos! Junto com a minha enorme felicidade me sinto um pouco na obrigação de falar sobre o que vem pela frente. Não que você não saiba, mas enfim...

Família é maravilhoso! É a coisa mais valiosa que nós temos! Disso tudo nós duas já sabemos. Mas família é muito difícil! Conviver em família é uma arte complicada. Arte essa, que nos meus 20 anos, ainda estou desenvolvendo.

Aceitar o mau-humor de cada um independente do seu próprio humor. Saber que mesmo você tendo ficado puto com alguma coisa você vai encontrar aquela pessoa em uma semana e que o melhor a fazer, na maioria das vezes, é passar por cima.

Que nossos avós não têm mais a força das histórias que nos fazem rir tanto quando lembramos da nossa infância... e que hoje em dia, um abraço mais forte pode até machucá-los. Mas que, independente da força física, eles nos amam como sempre e que, mais do que nunca, precisam de nós.

Que não temos que nos harmonizar apenas com 4, ou 5 dentro das nossas próprias casas... e sim com 25 ou 30 que compõe nossa família mais próxima...

Que por mais que nos amemos e que tenhamos princípios e educação semelhantes cada casa é infinitamente diferente da outra... Que uns farão coisas inacreditáveis no nosso ponto de vista, mas que não poderemos fazer nada quanto a isso...

Que ter quase toda família morando a menos de 3km de distância pode ser a melhor e a pior coisa do mundo ao mesmo tempo. E que, mesmo a distância sendo mínima, se você não procurar, só estará com a família em festas e aniversários. E será chocante ver que nesses quase dois meses que você ficou sem ver a caçula, por exemplo, ela já esta comprando roupas na mesma loja que você!

Mas que mesmo com tudo isso (ou será por conta disso tudo?), com todos os defeitos que temos, formamos uma família maravilhosa. Que todas as dificuldades que enfrentamos pra manter a harmonia entre os núcleos familiares valem a pena quando sabemos que em cada uma daquelas pessoas encontramos conforto quando procuramos. Que cada um a sua maneira se preocupa e seria capaz de coisas incríveis por nós.”

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Lembro que ao chegar no Rio ela me abraçou emocionada, dizendo ter ficado muito tocada com o e-mail. De lá pra cá se passaram 2 anos e meio e hoje fui eu quem precisou recorrer às próprias palavras.

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Quem me conhece, um pouco que seja, sabe como a minha família é a coisa mais importante da minha vida. Que eu não consigo ficar 10 minutos sem citar uma história do meu irmão, ou dos meus pais... Mas como essa harmonia familiar é difícil! Tem os avós, os tios, os primos, e existem assuntos comuns que precisam ser discutidos e acordado por todos. Entram em questão coisas referentes a poder, orgulho, hierarquia familiar... Meus Deus, que equilíbrio complexo! Só peço que eu tenha forças pra estar sempre lá, ao lado dos meus pais...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Mensagem de fim de ano

Você chega no trabalho, ainda é bem cedo...
Enquanto carrega os prgramas do trabalho você decide dar uma olhada nos e-mails pessoais.
Susto. Você depara com um e-mail de alguém que você não imaginasse que fosse te escrever de novo tão cedo. E a mensagem diz: "Obrigada, J. Não me amando você fez de mim um homem de verdade. Um fim de ano especial pra você".

terça-feira, 8 de julho de 2008

Enfrentando um medo

Já era tarde.
Telefone em cima da mesa.
Eu olhando pro telefone.
Coração batendo rápido, quando pulando do peito.

A coragem de ligar ia e voltava mais rápido do que os dedos eram capazes de discar os números.

Em uma mão segurava firme o telefone e na outra o pedaço de papel em que o número estava escrito. Fechei os olhos e revivi alguns dos momentos inesquecíveis que a nossa relação proporcionou.

Como esquecer os seguidos frios no barriga? Aquela sensação de “dessa vez vão vai ter jeito, não vou conseguir” e a outra melhor ainda de ter conseguido superar o desafio. Você sempre me dando uma lição... Quantas pessoas diferentes você me proporcionou ser? Já perdi a conta... de aeromoça a líder de torcida, personagens de cinema, hippie, guitarrista, cigana...

Seria justo pôr novamente tantas expectativas em cima de você? Alguém que já me deu tanto... E se eu não conseguir te acompanhar mais? E se eu não for mais aquela...?

Respirei fundo... disquei o número...

- Academia de Dança, Renata, boa noite!
- (silêncio)
- Alô?
- Oi... Boa noite, Renata... Será que você poderia me dar informações sobre a turma de jazz para adultos?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Fecha os olhos e pula!

Dizem que isso acontece com a maioria das pessoas e agora, mais uma vez, está acontecendo comigo.
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Tem uma coisa que eu quero muito e, agora que está pra acontecer, eu tenho dúvidas se vale a pena mesmo deixar sair do “reino da fantasia”...
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É que é tão bom quando fico imaginando que não quero correr o risco do real ser pior... Mas a bem da verdade é que só a possibilidade de ser tão bom quanto imagino já faz valer a pena arriscar.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Incomodo

Eu estou com medo. Assustada.
Que nem criança que se perdeu dos pais em sábado de shopping cheio.
É medo de apertar forte o coração e querer correr do ponto de conforto que, de uns tempos pra cá, tem atrapalhado mais do que ajudado.
Tem horas que a mão começa a suar e eu desconfio que qualquer pessoa seria capaz de perceber que estou a um passo da paralisação.
Fui criança sem medo de escuro, de altura ou de bicho papão. Desde que me entendo por gente sonho. Dormindo ou acordada eu sonho. Agora “estou grande”. Grande e com medo. Medo inclusive de sonhar.
Por que os sonhos agora não são mais meros devaneios descompromissados. Cada sonho que eu sonhar e não realizar apenas poderei culpar a mim mesma.
É como se eu estivesse esperando na de fora por muito tempo e agora estivesse com medo de perder logo no primeiro jogo.
Sabe ganhar um carro antes de aprender a dirigir? Pra todo mundo pode parecer o máximo mas pra você não serve de nada...

domingo, 12 de agosto de 2007

Susto

Alguns podem até me acusar de não ser a pessoa mais zelosa com o meu carro. Ele tem alguns arranhões, um amassadinho (carinhosamente apelidado de celulite), por dentro é sempre uma bagunça descomunal... Mas eu amo ele. Muito.
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Ontem a noite, estava indo sair de casa quando, ao chegar no carro o bichinho não dava o menor sinal de vida. Nada. Morto. Apagado. Que cena triste... Sabe quando você vê aquela criança super agitada, que está sempre correndo e rindo, com febre e de cama? É de partir o coração, né? Ver meu carro “morto” me deu a mesma sensação.
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Nessas horas só tem uma coisa a se fazer: Paiêêêêêêêêêê!
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Com a saída de sábado a noite já abortada me restava apenas esperar o mecânico do segura que viria fazer a cirurgia de emergência. Suspeita? Bateria... É, tem uma hora que o coração da gente pifa.
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Veio o mecânico, tentou a ressuscitar o coitado e nada... só um transplante de coração salvaria meu bebe àquela altura. Já era quase madrugada e nos restava esperar até o dia seguinte.
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Logo aos primeiros raios de sol do dia dos pais o tele fone toca dizendo que havia sido encontrado um coração compatível e que ele já estava a caminho. 10 horas da manhã, com o coração apertado assisto a cirurgia. O hábil mecânico mexe de um lado, puxa de outro... até que fala “ A sra. Poderia tentar dar a partida por favor?”. Tensa, rodei a chave... Como é bom ouvir aquele barulhinho saudável de novo!!!
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Carrinho, querido... nunca duvide que a mamãe ama muito você!!!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Nas minhas mãos

A faculdade foi "amiga" e consegui me matricular em todas as materias que faltavam para eu concluir o curso. Meu pai foi, como sempre, um fofo e hoje eu assinei o contrato para minha colação de grau e festa de formatura.
Ou seja, agora só depende de moi!
Não sei por que, mas essa é a parte que mais me preocupa...