Os corpos se separaram. Cada um caiu pra um lado da cama. Suados, respiravam de forma ofegante. Ela ainda tentava conter o sorriso que insistia em aparecer na boca quando ele lança: . _ Você é muito gostosa. _ Muito. Sou quase uma Angelina Jolie, não sabia, não? . Ah, que petulância! Um cara como ele usar um adjetivo (por que, não, isso não é um elogio) tão chulo quanto esse numa noite que estava sendo tão fantástica! Ele percebeu a ironia na voz dela e continuou... . _Você não me entendeu. Não quis dizer gostosa no sentido dessas boazudas. To falando gostosa de boa mesmo. Não tem uma parte do teu corpo que não seja macia e cheirosa, não tem um toque seu que não resulte numa descarga elétrica. Estar com você é uma delícia. Foi isso que eu quis dizer com gostosa. . A respiração dela a esta altura já estava mais calma. E dessa vez ela não se esforçou pra esconder o sorriso que apareceu no seu rosto.
Eu sei que o meu telefonema soou estranho. Depois da nossa ultima conversa, eu te ligar no início da noite, em um dia de semana, horário que sei que você está trabalhando... Ainda mais pra perguntar algo tão banal como o nome de um restaurante.
Eu sei, também, que você sacou que aquele não era o real motivo do telefonema. O seu silêncio não seguido de uma despedida ao dar-me a resposta deixou isso claro. Quem se apressou dando a desculpa que tinha um guarda no cruzamento à frente fui eu.
Eu tava, pra variar, com o iPod no shuffle quando começou a tocar uma música do Leoni. O refrão dizia “porque eles nunca tiveram nem vão ter nada como eu você”. Essa música nunca foi nossa, e acho pouco provável, até, que você a conheça, mas aquilo na hora me fez todo o sentido do mundo e eu queria te falar isso.
Fiquei com vergonha, sabe como é, música de garotinha... Mas já diria o Lulu, o rei do pop de amor, que “as canções mais tolas, tendo seus defeitos, sabem diagnosticar o que vai no peito”.
Mas quando eu ouvi o “Oi” do outro lado da linha a coragem de falar de Lulu e Leoni evaporaram e tudo que me veio a mente foi te perguntar o nome daquele restaurante. Restaurante esse que eu não tenho a menor intenção de ir.
E, quer saber? A própria música do Leoni era uma desculpa. Eu queria mesmo era dizer que eu achei a resposta para algumas das suas perguntas. O negócio é o seguinte... Eu desci pro play e não sabia brincar. Achei que ia te enganar, afinal todos os jogos de pique são iguais, mas a brincadeira que você propôs era mais complicada, tinha muitas nuances e o risco, caso eu perdesse, me parecia muito alto.
Agora não tem mais como eu pegar o elevador e voltar pra segurança do meu casulo. Agora eu já fui apresentada às regras da brincadeira... Ainda da tempo de sugerir esconde-esconde?
_ Lexie, é do Alex que estamos falando. Emocionalmente ele é tão maduro como eu há três anos atrás. Você sabe que não pode nutrir sentimentos por ele. _ Claro que não. É apenas sexo! Nào há sentimento envolvido. _ Com certeza! Por que você é a garota sem sentimentos! Acorda! Seu coração mora na sua vagina! _ Claro que não! Até parece! Eu juro que dessa vez não. _ Ta bom... eu acredito. Boa sorte! _ E pra que fique registrado, meuc oração não mora na minha vagina!
(Greys Anatomy, 6a temporada, episódio 16. Dialogo entre as irmãs Gray... God bless a roteirista desta série... Por que ouvir isso na TV ;e bem mais fácil do que ter uma irmã ou amiga realmente tendo que te dizer isso)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Até hoje fecho os olhos e ainda nos vejo deitados na areia da praia vendo o sol cair e falando filosofia barata. Seu olhar vidrado no meu sorriso e o meu nas suas pintinhas. Vidrados. Foi como nos sentimos durante aqueles dias. O mundo foi esvaziado por um tempo... Os outros 6 bilhões de terráqueos foram postos em hold para que pudéssemos viver a nossa história. . Nós a vivemos. Ela foi linda, intensa, quente... Ela foi. E hoje tento me acostumar com a ideia de que não tenho essas sensações ao meu alcance. Quando me bate a dúvida se teu ombro esquerdo tinha 13 ou 15 pintas (eu tenho certeza que era um número ímpar) me dói não poder tirar a dúvida. Sempre que visto aquela saia de babados branca e aquela blusa rosa eu paro na frente do espelho na esperança que você saia pela porta do banheiro e repita o elogio mais doce e sincero que já ouvi na minha vida. . O futuro à Deus pertence, isso é o que eu mais escuto atualmente. E algo me faz sentir que ele será cuidadoso com uma história bonita como essa...
Eles não resolviam que tipo de relação teriam. Ora a amizade prevalecia, ora o tesão falava mais alto...
Certa vez, se encontraram no final do expediente na estação do metro, e enquanto esperavam o trem chegar ele disse:
.
- Nossa, tem uma mulher La no escritório que é muito gostosa.
- Sério? Como ela é?
- Um mulherão... perna grossa, sempre de saia justa... um peitão que com certeza é silicone, mas que deixa a blusa social esticada na área do botão... Passo o dia todo imaginando a hora que o botão vai voar longe e aquele peitão vai pular pra fora da camisa.
- Nossa, pelo visto a atração está evoluída, você já tem até fantasias com ela, já... Quão grande é o peito dela?
- Maior que o seu!
- E você gosta dela?
- Ela pode ser uma excelente segunda opção.
.
Os dois riram, deram as mãos e embarcaram juntos no trem...
Local: Copa Mãe e filha colocam a mesa enquanto esquentam o jantar . Mãe - Então filha, decidiu seu carnaval? Filha - Ai, mãe, nem fala... Depois de 5 anos eu acho que vou passar o carnaval no Rio. Derrota máxima. M - E todos aqueles lugares que você tava vendo de ir? F - Melou tudo! M - Filha, por que você não vai pra Lisboa? . . . . Local: Quarto da filha Após o jantar ela deita na cama do quarto artificialmente refrigerado e reflete . Consciência - E no final das contas, por que não ir pra Lisboa? Filha - Porque ta muito frio nessa época do ano... C - E você não adora as oportunidades que tem de usar suas roupas de inverno? F - Tá, e mesmo se não fosse pelo frio, lá não é feriado e ele trabalha até tarde todos os dias C - Portugal é um país super interessante. Você poderia fazer turismo durante o dia e encontrar com ele de noite. Nos dias em que você estava trabalhando e ele estava no Rio não foi assim que foi feito? F - Foi... Mas ele foi embora tem pouco tempo. Eu não quero me acostumar mal, achando que sempre que bater a saudade eu posso ir pra lá. Que vamos nos ver todos os meses... C - Mas por que não aproveitar pra se verem no mês em que você pode viajar? F - Porque a gente sabia desde o início que seriam 15 dias. E esses 15 dias já acabaram. Estar junto agora é só renovar o passaporte pra sofrer de novo no fim do carnaval... Desse jeito eu não me acostumo a nossa real situação. De que existe o Atlantico no meio e que não há possibilidade de termos nada que fuja do fulgás caso de verão... Você acha que eu to errada? Que eu devo ir pra Lisboa? C - Eu não disse isso em momento algum. F - Mas então por que todas essas perguntas? C - Só pra ter a certeza que você sabe as respostas. F - Você não confia mesmo em mim, né? C - Se você achar que eu não tenho motivos pra isso podemos continuar a conversa. F - Não, por mim está bom por hoje.
Quase dois meses longe daqui. Isso é um recorde! Só não sei se é do tipo de recorde que se deve comemorar ou não...
Tantas coisas aconteceram neste tempo de ausência que não sei nem por onde começar.
Quantos sonhos cabem em duas semanas? Quantos a sua mente se permitir sonhar! Foi isso que eu aprendi nas minhas duas primeiras semanas de férias. Nadei com baleias, realizando o sonho da menina de 4 anos que um dia eu fui. Estive com o roteiros dos maiores filmes de Hollywood em mãos, realizando o sonho da roteirista que um dia eu penso em ser. Tive uma overdose do meu irmão. Overdose do melhor tipo que existe! Como é possível eu amar tanto uma pessoa tão diferente de mim? Até hoje eu me surpreendo com o tamanho do meu sentimento por ele. Senti frio, visitei lugares incríveis, andei, andei e andei. Vi pessoas diferentes, ouvi musicas novas, segurei uma estatueta do Oscar. Cheguei perto do mundo com o qual eu tenho medo até de sonhar... Foi de verdade e foi ótimo.
E, por incrível que pareça, tão bom quanto as férias no hemisfério de cima, foram as férias em casa. Ser turista na minha própria cidade foi uma delícia. Tudo bem que o fato de a minha cidade ser o Rio de Janeiro ajuda. E a companhia... ah, melhor nem comentar antes que o coração aperte de saudade. Ir ao Maracanã, aquele programa de todo domingo, com os olhos de uma primeira vez. Poder explicar cada grande conquista e cada grande derrota que vi ali dentro, tentando descrever sentimentos indescritíveis... Caminhar pelas ruas do centro da cidade de saia jeans e chinelo, reparando na arquitetura, entrando em cada igreja e prédio histórico, passar uma tarde no Passo Imperial e esperar a tempestade passar abrigada no Mosteiro de São Bento. O Forte do Copacabana, o Dedo de Deus ou até mesmo a praia em frente de casa. Tudo tão gostoso! Tudo de tão fácil alcance e quase nunca aproveitados como se deveria...
E a sensação de ser uma adolescente de novo? Romance escondido, amor de verão, flor roubada do jardim do visinho, beijo com gosto de mamão, mão dada por baixo da mesa... E a certeza de que, às vezes, o melhor caminho para se esquecer uma história não é fugir dela e correr pra longe do mundo onde ela aconteceu...
Agora a vida volta a programação normal e com isso espero que o Blog também.
Meu irmão tem um time de futebol junto aos amigos dele. Eles brincam que eu sou a assessora para assuntos não necessariamente futebolísticos do time. E eu exerço meu cargo com toda a honra. Neste final de semana eles perderam um jogo que os classificaria para a série A do campeonato carioca de futebol society e todos ficaram arrasados. Estava no Maracanã com o meu irmão quando um dos meninos ligou. Ele é desses bem pequenininhos, só pra se ter uma idéia o apelido dele é Ogro. 20 e muitos anos, quase 2 metros e altura, todo tatuado... Ele perdeu o “shoot out” que eliminou o time. Quando meu irmão desligou eu perguntei qual tinha sido o assunto da conversa. “Po, ele tava malzão, com a voz embargada, dizendo que nem ia conseguir dormir porque quando colocasse a cabeça no travesseiro só lembraria daquele momento”. Ah, fiquei puta. Pedi que meu irmão ligasse pra ele de volta e me botasse na linha. Meu irmão ficou meio receoso, mas fez o que eu pedi. “Oi Ogro, sou eu. Olha, pára de palhaçada! Esse papinho de não vou conseguir dormir... dos 4 gols do time hoje, você fez os 2 primeiros, deu o passe para terceiro e sofreu o pênalti que resultou no quarto. Agora, escolher no que você vai pensar antes de dormir só depende de você”.
Ah, não tenho paciênciapra dramalhão...
domingo, 22 de novembro de 2009
Vou ali do lado desfazer esse nó que se formou no meu peito e já volto.
Eu sei que o apagão fui ruim, que mostrou a fragilidade do serviço elétrico brasileiro, que deixou milhares de brasileiros presos em elevadores e causou muitos prejuízos e transtornos... mas tenho que admitir: eu gostei do apagão.
Estava na cama da minha mãe jogando conversa fora quando a luz apagou. Logo depois meu irmão e meu pai se juntaram a nós e ficamos lá, os 4 juntos, jogando papo fora, lembrando histórias, imaginando o futuro... É normal os 4 estarem em casa às 10:30 da noite. O que não é normal é os 4 estarem no mesmo cômodo, fazendo a mesma coisa (ou nada) juntos.
De tempos em tempos entrava na internet pelo celular, checava o status do apagão, informava a família, me divertia com os tweets apocalípticos... mas tudo isso junto deles.
Quando resolvemos que íamos dormir vesti minha camiseta de “geração Y”. Peguei meu note book, pluguei a internet através do plano de dados do celular e passei a interagir com os poucos que estavam conectados àquela hora.
Mas não me entendam errado. Eu estou feliz, alegre, cheia de planos e perspectivas... só que com um buraco cada vez maior ali no meio... Como é possível? Também não sei... Bem vindo a Montanha Russa!