segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Feedbacks

1ª Parte – O Feedback da empresa

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Prólogo: A empresa onde trabalho é cheia de formalidades. Uma úteis, outras nem tanto... Esta sexta feira eu me reuni com os gerentes com quem mais trabalhei durante o ano para receber minha avaliação de desempenho e para montar meu plano de ação para o próximo ano.

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Gerente – Vamos começar pelos pontos fortes? Este ano você performou muito bem nos quesitos XYZ... não ficamos muito feliz com ABC e achamos que você esta pronta pra blá, blá, blá...

Eu – Poxa, que bom! Fico feliz em ouvir tudo isso...

Gerente – Agora, quanto aos pontos a desenvolver achamos que a sua principal questãi é a ansiedade.

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A explicação que se seguiu a isto foi um pouco traumática, fui praticamente chamada de cavaleira do apocalipse. Como faz tempo que aprendi que feedback não se comenta, fiquei quietinha, ouvi tudo e agradeci no final. Fiquei remoendo o assunto o resto da tarde.

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2ª Parte – O Feedback da amiga

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Eu – Estou zen!

Amiga – Por que?

Eu – Porque agora eu sou uma nova Eu. Agora eu vou viver no Zeca Pagodinho Way of Life... Deixo a vida me levar!

Amiga – O que ta pegando?

Eu – Acabei de receber meu feedback e descobri que devo ter umas 3 ulceras de tão ansiosa que eu sou. Quer dizer, que eu era. E então, deste momento em diante sou uma pessoa relax...

Amiga – Mas você não precisa levar um feedback tão ao pé da letra. Você pode ter parecido ser ansiosa no trabalho porque este foi um ano difícil...

Eu – Mas meu irmão falou esta semana que eu estou a um passo de virar minha avó!

Amiga – Seu irmão é exagerado...

Eu – Ah, escrevi o e-mail que te disse que escreveria, mas ainda não mandei.

Amiga – Oba! Manda, manda! To louca pra ler.

Eu – Ainda não, acho que só vou mandar na segunda.

Amiga – Por que?

Eu – Não sei, quero reescrever algumas partes... E acho também que mandar logo antes do fim de semana vai parecer que eu to desesperada... Lembre-se agora eu sou zen.

Amiga – E-mail não é jornal pra ser editado. Se escreveu, manda. O que te faz ansiosa é planejar mandar e segurar um email até o dia que você julga ser melhor para que você não pareça ser uma coisa que você não quer ser, ficar e guardando até o dia "adequado".

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Epílogo: A julgar pela quantidade de e-mails que eu guardo até a data adequada e que fico editando e reeditando, eu realmente devo ser uma pessoa ansiosa. Ta vendo, se meus chefes desses exemplos claros como estes para meus “pontos a desenvolver” talvez meu feedback fosse bem mais eficaz.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carta 2 - 1997 - 11 anos

Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 1997.

Bom, tem um bom tempo desde que nos falamos pela última vez. Como você viu a alfabetização foi um sucesso, os óculos não atrapalharam sua popularidade infantil e seus primos continuam morando longe.
Este ano começa o ginásio! É normal estar come medo da 5ª série. Sai de cena aquela professora super maternal e entra o esquema de um professor pra cada matéria... sai ciências e entra biologia, sai estudos sociais e entra geografia... Mas permita-me dizer que tirando natação, que mais uma vez vai ser a nota mais baixa do seu boletim, você não tem com o que se preocupar no quesito acadêmico.
E, como todos que fazem parte deste recanto irlandês disfarçado de escola, a 5ª série quer dizer apenas uma coisa: acampamento! Tem tantos anos que você sonha com este fim de semana de acampamento que nem dá pra acreditar que ele está tão próximo. Escolher as companheiras de cabana, as roupas, fazer fogueira... Olha, a expectativa foi valida porque, falando aqui do futuro eu te digo, até hoje, quando a turma se encontra, este é um dos assuntos mais frequentes
Ainda na escola vai rolar um grande racha entre as meninas da 5ªA e as da 5ªB. Elas, muito maduras, preferirão passar os recreios dançando Spice Girls, já vocês, ainda mais infantis, dançando Chiquititas. A verdade é que você queria poder dançar as duas coisas, mas se é pra tomar um lado, que seja o das suas amigas. A briga vai tomar proporções tão grandes que as duas turmas se apresentarão no teatro da escola para uma votação popular. Mas não precisa arregalar esses olhos não, vocês vão levar a melhor...
E se é para falar sobre dança... No Ballet as coisas vão estar cada vez melhores. Mais uma vez você será convidada para participar de coreografia nas outras turmas e eu te conto mais uma coisinha se você prometer não surtar. Promete? Então, quase nas vésperas da estréia do show você e mais algumas meninas serão convidadas para fazer a abertura do espetáculo. Sensacional, né? Até que para uma gordinha, de óculos e aparelho nos dentes você está se saindo bem.
Você hoje pode achar que o ballet é apenas mais uma atividade extra curricular, mas dentro de alguns anos você vai perceber o quanto ele está te ensinando. Sem que você perceba, ele está te mostrando como ser uma competidora leal, a não deixar que limitações físicas te digam até onde você pode ir e, mais sério ainda, está te ensinando quão nojento pode ser o nepotismo. Tudo isso vestindo collant e sapatilhas... quem diria!
O fim do ano se aproxima e com ele uma decisão difícil. Será que chegou a hora de mudar de escola? Nossa, você está tão confusa! Não consegue imaginar a vida longe deste paraíso que você chama de escola, mas o horário estendido dificulta que você possa se dedicar mais as suas outras atividades.
E olha, já te digo uma coisa, nem adianta tentar se sabotar na prova pra escola nova... em 1998 os 10 anos passados neste pedacinho da Irlanda perdido no meio do Rio de Janeiro virarão lembranças. E das mais doces que você vai ter. Presente de despedida? Claro que vai ter, as professoras de artes e de Educação física te chamarão para ajudar a montar a festa de fim de ano da escola... você e uma menina do grupo das Spice Girls...
Olha, com você prestes a entrar na adolescência tem muita mudança acontecendo, então eu prometo não demorar a escrever de novo.
Até,
Eu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Carta 1 - 1991 - 5 anos

Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 1991.

Oi Pequena, tudo bom?
Nossa você está com 5 anos!
Que fase deliciosa! Mas, permita-me dizer uma coisa: prepare-se para um ano e tanto!
Já já as aulas começam e este ano vai ser bem diferente dos anteriores. Você vai aprender a ler e a escrever! Você ainda não sabe, mas isso vai ser uma das coisas mais importantes da sua vida!
No começo vai parecer meio injusto, porque enquanto o nome de coleguinhas como André e Pedro começam com letras fáceis de fazer o seu começa com o rebuscado “J”. Letra cursiva é difícil mesmo, mas você vai pegar rápido.
As férias de meio de ano te trarão um desafio e tanto. Você vai precisar colocar óculos. Eu até entendo esse seu desespero inicial. Afinal, você entrou de férias sendo a líder da turminha do areal e pode voltar sendo a quatro olhos que todo mundo implica. Ah, Pequena, você ficaria orgulhosa de você mesma se soubesse como você vai se sair bem dessa situação. Você vai conseguir convencer toda a turminha que os óculos te dão super poderes e vai subir ainda mais na hierarquia do areal.
Poxa, tão cedo e você já está com o coração apertado? Saudades, né? Te apresentaram a isso cedo demais! Já vai fazer um ano que seus primos se mudaram para o velho continente... Você sente falta deles no ônibus da escola, no recreio, no condomínio nos almoços de domingo. Ah, se eu pudesse te alertar! Eu sei que o plano é que este sentimento termine no ano que vem, mas pra que apenas um deles voltasse pra casa demorou 15 anos! Acostumar com essa saudade você nunca vai se acostumar, porém você e seus primos desenvolverão, mesmo a distância, uma linda relação.
Ih, que perigo! Os primeiros sinais de ciúmes! O que são essas lágrimas nos seus olhos pouco antes do seu aniversário de 6 anos? Tsc, tsc tsc... Você está dizendo que prefere não fazer festinha de aniversário porque seus avós vão estar longe, visitando seus primos e que aniversário sem o bolo da VoInha não é aniversário! Que menina tinhosa que você é. Mas pode ficar tranqüila, sua mãe, como sempre, pensa em tudo! A VoInha antes de viajar deixou seu bolo congelado e sua festa da Pequena Sereia vai ser sucesso absoluto!
Agora vai lá pequena, vai que chegou sua vez de pular elástico.
Volto em breve.
Beijos,
Eu.

Pontapé inicial

E se a Jongleuse de hoje pudesse conversar com as diversas Jonglueuses que eu já fui durante esses 23 anos?

Sendo assim, eu dou início a série: cartas a mim mesma!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Idioma: português

- Tuga, fiz uma aula de Zouk ontem e estou acabada!
- O que é Zouk?
- É uma dança... uma lambada mais lenta, mais sensual... Sei lá, procura no youtube, não sei explicar.
- Vocês não tem mais o que inventar mesmo.
- O pior é que tem uns passos onde você tem que jogar todo o corpo pra trás... na hora é uma delícia de fazer, mas hoje estou toda dolorida.
- Você está o que?
- Dolorida.
- Vocês brasileiros não sabem mesmo usar o idioma!
- O que foi desta vez?
- Você sente dores ou dolores?
- Dores, claro.
- Então o certo é dizer dorida e não dolorida!


Esses portugueses tem cada uma...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Contagem

Hoje eu completo 8.496 dias de vida.

Se você preferir 1.213 semanas, ou 203904 horas, ou 12.234.240 minutos ou ainda 734.054.400 segundos.

Sabe que eu achei que fosse mais?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

No queijo

- Puta que pariu! Você é foda mesmo

- O que foi?

- Eu fui ao banheiro e pedi que você a olhasse por 5 minutos. Só 5 minutos. Por que isso é tão difícil?

- Cara, não sei com o que você está tão preocupado. Ela está super na dela hoje, meio depre. Está até falando pouco pra você ter uma idéia. Ela disse que ia dar um pulinho no bar.

- Por acaso o bar fica ali no canto direito?

- Não, fica ali atrás.

- Então o que ele está fazendo lá?

[silêncio]

- Fudeu! Fudeu! Vem comigo!

- O que houve?

- Você não está vendo?

- Não, cara. Tudo que eu to vendo é uma mulher andando sozinha num inferinho.

- Definitivamente você não entende nada... Puta que pariu... Tarde de mais!

- O que?

- Olha pra frente!

[Ela soltava os cabelos com uma naturalidade quase forçada e subia no queijo sem tomar conhecimento das pessoas a sua volta]

- O que a gente faz agora?

- Nada, pra falar a verdade...

- A gente vai deixar ela dançando as... uau! Você viu o que ela fez?

- Você não viu nada ainda.

- ...

- Vamos chegar mais perto

- Opa! Já é!

- Não viaja seu imbecil... É só para não deixar nenhum engraçadinho tomar liberdade com ela.

- Claro, po! Não é a prim... Você viu o que ela fez com o quadril? Foi mal! Não é a primeira vez que ela faz isso?

- Não. Sair com ela em estados de ânimo extremos é sempre arriscado.

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- Por que vocês estão com essas caras?

- A gente não ta com cara nenhuma! Vamos embora?

- Mas já?

- Não era você que estava cansada e nem queria ter saído hoje?

- Ah, mas agora to me sentindo bem melhor... Ainda ta cedo, só mais uma horinha vai?

- Me promete que só vai dançar no canto esquerdo da pista e no nível do chão?

- Prometo.

- Então ta bom, só mais uma hora.

- Te adoro!

- Você esteve ótima lá em cima!

- Obrigada... vem dançar comigo... No canto esquerdo...

- Sua boba... vamos!

[A dança em questão durou bem mais que uma hora]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Senhora inconveniente

Uma das minhas avós é uma jovem senhora de 80 anos (se ela souber que revelei a idade serei uma neta morta!). Ela é uma pessoa extremamente ativa, faz cursos, atividade física diária e um enorme grupo de amigas igualmente senhoras.

Tem o grupo da aula de campo, o grupo do pilates, o grupo das administradoras do asilo, o grupo do Instituto de Educação (porque professora que se preze, na época dela, se formava no IE).

Um destes grupinhos é formado por 5 mulheres. A mais nova tem 73 anos e a mais velha 82. Ela costumam se reunir semanalmente para um chá ou um lanche em algum lugar da cidade. Porém, uma das amiguinhas passou por uma operação recentemente e o lanche da semana foi transferido pra casa dela. Ela preparou a, segundo ela, mundialmente famosa canjiquinha.

Neste dia a noite passei na casa da minha vó para um visitinha. Ela estava feliz me contando do lanche quando soltou a frase “ai nós 4 falamos que...”

- Como assim nós 4, Vó? Vocês não são 5?
- A Eulália não foi.
- Por que? Está tudo bem com a Tia Eulália.
- Está tudo bem com ela sim. Ela não foi porque nós não convidamos.
- Meu Deus, Vó! O que houve para vocês terem deixado a Eulália de fora da canjiquinha?
- Ela está muito inconveniente.
- ...?
- É, com os assuntos dela...
- ...?
- Ela disse que o marido estava parecendo velho de mais e obrigou ele a pintar o cabelo!
- (segurando o riso) Sério? Ah, vó... cada velho com a sua mania... deixa a Eulália.
- Mas não é só isso.
- Não?
- Não... a última é que ela levou o marido pra tomar umas injeções para voltar a ter ereções pois ela disse que ainda não está morta. Ve se agente vai ficar ouvindo absurdos como esse.

Pois é... quem ficou com vontade de chamar a tia Eulália pra uma canjiquinha fui eu. Imagina as histórias que ela não teria pra contar! Essas velhinhas tão que tão!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ainda sobre amigas de longa data

É engraçado ver com as coisas mudam com o tempo.
Uma grande amiga minha retornou ao país depois de uma longa temporada trabalhando fora. Obviamente ela não tinha mais o seu celular e, consequentemente, não tinha mais o telefone de ninguém.
Certo dia minha mãe me deu o recado que essa amiga tinha legado lá pra casa. Na mesma hora peguei o telefone e liguei pra casa dela.

E foi aí que eu me toquei... Eu não sei o de cor o telefone de mais ninguém. Sei o celular dos meus pais, do meu irmão e de umas 3 amigas... sei também o número do meu escritório, da minha madrinha e da casa dos meus avós.
Tenho amigas super próximas, pra quem ligo mais de uma vez por semana, que eu não faço idéia do número. Pra que decorar uma sequencia de 8 números se pressionando o 7 meu celular liga automaticamente pra ela?
E assim é com todos os telefones hoje em dia... sem a agenda do meu celular eu não sou ninguém.

Mas eu conheço a amiga do início da história há mais de 10 anos. Portanto eu ainda ligava pra casa das pessoas e o celular ainda não estava enraizado como hoje. Sendo assim, mesmo sem saber, eu ainda sabia o telefone da casa dela da mesma forma que ela sabia o da minha.

Parei pra pensar nos telefones de amigos que sei de cor e me divertir ao notar que muitos deles tinham apenas 7 números! Amigos de primário, de quando ligávamos pra casa uns dos outros e as mães analisam o quão educado era o amiguinho pela forma como ele a cumprimentava e pedia para te chamar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Amigas e regras

Não sei se isso é algo que acontece com todas as meninas, mas com o meu grupinho de amigas de colégio foi assim.

Quando chegou à época em que começamos a ficar e namorar algumas regras foram estabelecidas. Regras como:

  • ex de amiga é proibido
  • se uma amiga já tiver ficado com o carinha é necessário o consentimento dela para que você possa ficar com ele (não importa quanto tempo já tenha passado)

O tempo passou, os anos de escola ficaram bem pra trás, mas como algumas das amigas são as mesmas daquela época vira e mexe relembramos das regras.

Na verdade acho que todas nós, em algum momento, quebramos alguma das regras. Acho que faz parte, né... afinal dizem que é pra isso mesmo que se criam regras.

Até este fim de semana acho que apenas umas das regras continuava absoluta e intocada, era a regra que dizia clara e explicitamente: “Irmão de amiga é material fora do mercado”. Primos são negociáveis, mas irmãos não.

É, como eu disse, até esse fim de semana.

Sabe, essa é uma das minhas alegrias de ter amigas de tanto tempo. No meio da noite quando nos tocamos que a única regra que restava estava sendo quebrada, começamos a rir sem precisar trocar uma única palavra.