Da mesma forma que eu tenho uma caixa que guardo as cartas e cartões que recebo, eu guardo meus históricos do MSN.
Converso tanto e com tanta gente através desta ferramenta que não teria coragem de simplesmente jogar no ralo todas aquelas palavras.
Por ali nasceram alguns romances, morreram outros. Ali está a único registro de algumas pessoas que passaram pela minha vida sem que eu as conhecesse pessoalmente...
Dia desses estava lendo o meu histórico de conversas com uma amiga e encontrei uma data importante: o dia em que fui convencida que era sim uma pessoa romântica. Isso foi, segundo o registro, em 28/08/2008.
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Eu:
Mas quer saber, eu sou melhor que o meu signo!
Meu signo é muito molóide!
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Amiga:
Eu, quando era mais nova, não achava que era mt capricórnio não...resistia a me convencer pq eu achava um signo mais misterioso, não muito expansivo... que ia contra ao meu jeito mega extrovertido... depois lendo mais sobre fui entendendo que simplesmente TUDO é igual...no amor, no trabalho, na vida, relacionamento... mt bizarro. Hj em dia eu sou capricorniana dos pés à cabeça.
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Eu:
Eu até sou canceriana eu bastante coisa...
mas esse romantismo exagerado me irrita um pouco, eu não sou assim
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Amiga:
Nossa, é simmmm
Acho vc mega romântica
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Eu:
Eu sou mãezona, sou um pouco carente, sou mega determinada... enfim, concordo com muitas coisas
Mas fazem parecer que o canceriano é movido a sentimento...
E isso eu não sou. Eu posso ser tradicional em muitas ciosas, idealista em outras... mas no amor mesmo, me acho pouco romântica.
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Amiga:
O que é romantismo pra vc?
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Eu:
Ui, o papo ta ficando denso!
Eu acredito em casamento, por exemplo. Mas acho que os que dão certo poucas vezes são baseados única e exclusivamente no amor no seu sentido mais tradicional... acredito bem mais no companheirismo nas relações de longo prazo.
Acho que sexo e amor podem muito bem andar por caminhos diferentes...
Não sou fã de demonstrações públicas de afeto.
Sou pouco passional.
Mas definir romantismo mesmo... sabe que eu não to conseguindo.
Perguntei pra uma amiga aqui no MSN o que era ser romântico pra ela. Ela acabou de me responder "Ai, que difícil... acho que ser romântico é ser idiota por opção".
Gostei da definição! ;-)
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Amiga:
Pois então... Pra mim, romantismo não tem a ver só com amor, o mundo publicitário (sempre ele!) é que definiu isso. Na verdade romantismo é quase sinônimo de criar enredos, desenvolver relações, listar personagens, cada pessoa ocupando um lugar, com mudanças de lugar...
Mesmo te conhecendo bem, eu te analiso pelo seu blog de vez em quando. E dá pra notar de fato, que vc é uma pessoa sensível, que observa as coisas a partir de vários aspectos... portanto analisa tudo como história, criando enredos.
Isso é romantismo, às vezes tem a ver com amor, na grande maioria das vezes até... mas só porque o amor é a grande história, é a história que vence era após era, por isso está ligado na maioria da vezes.
Mas vc é românctica sim!
E diz pra sua amiga que adorei a resposta dela.
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Eu:
Acho que estou entendendo... romance como romance no sentido literário... que não necessariamente significa história de amor. Gostei disso.
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Amiga:
Exato.
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Eu:
Nesse sentido sim... eu amo histórias com personagens bem definidos, lugares, ambientação... me dão um grão de areia e eu idealizo a praia toda. Mas acho que é uma coisa mais de ser observadora e de gostar do processo de criação.
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Enfim... a conversa foi longe... e, apesar de neste último momento eu ainda ter tentado negar, a partir deste dia eu adotei pra mim este conceito de romantismo. E se é assim, sim, eu sou romântica.
Um circo onde o palhaço e o mágico... o equilibrista e o domador... A bailarina e o malabarista... todos são vividos pela mesma pessoa...
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Gotas de Sabedoria
"A gente vem ao mundo com as trepadas contadas, e as que não se usam, por qualquer motivo, próprio ou alheio, voluntário ou forçado, se perderam para sempre"
(Gabriel Garcia Marques, em Amor nos tempos do cólera)
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Pop, filosofia e placebos
De tempos em tempos eu arrumo um pouco de fôlego pra estudar sobre um dos meus assuntos preferidos: filosofia.
Eu adoro os conceitos e admiro muito esses pensadores, mas acho que deve haver alguma convenção filosófica mundial que impede esse povo de escrever de maneira simples e inteligível. Por isso, mesmo sendo uma apreciadora deste tipo de conteúdo, eu o estudo com menos freqüência do que gostaria.
Eu adoro os conceitos e admiro muito esses pensadores, mas acho que deve haver alguma convenção filosófica mundial que impede esse povo de escrever de maneira simples e inteligível. Por isso, mesmo sendo uma apreciadora deste tipo de conteúdo, eu o estudo com menos freqüência do que gostaria.
Esses dias eu fui apresentada a um filósofo contemporâneo chamado Slavoj Žižek (só o fato do
nome do cara ter dois “Z” com acento circunflexo de cabeça para baixo já seria o bastante pra eu gostar dele), pra ser ter uma idéia, o cara é considerado o Rei do Pop Filosófico. Eu daria a pontinha do meu dedo por um título cool desses! =P
Para os que ainda não tiveram o prazer de conhecer a obra dele, escolhi um pequeno fragmento pra expor aqui:
“O botão que aciona a porta dos elevadores é um placebo destinado a dar a ilusão a quem o aperta de que participa do movimento do aparelho”.

Žižek vê nisso uma metáfora do processo político pós-moderno, no qual o voto dos cidadãos é igualmente ilusório, uma vez que somos convocados a escolher entre candidatos que, no fundo, propõem as mesmas coisas.
nome do cara ter dois “Z” com acento circunflexo de cabeça para baixo já seria o bastante pra eu gostar dele), pra ser ter uma idéia, o cara é considerado o Rei do Pop Filosófico. Eu daria a pontinha do meu dedo por um título cool desses! =PPara os que ainda não tiveram o prazer de conhecer a obra dele, escolhi um pequeno fragmento pra expor aqui:
“O botão que aciona a porta dos elevadores é um placebo destinado a dar a ilusão a quem o aperta de que participa do movimento do aparelho”.

Žižek vê nisso uma metáfora do processo político pós-moderno, no qual o voto dos cidadãos é igualmente ilusório, uma vez que somos convocados a escolher entre candidatos que, no fundo, propõem as mesmas coisas.
Achei isso muito propício para nós que, em pouco mais de um mês, teremos que enfrentar a difícil missão de escolher entre as atrocidades que nos deram como candidatos este ano. A conclusão é... pense direitinho em quem votar, mas não sofra de morte quando vir que, novamente, não temos opção... no fundo, eles são só mais uma opção de placebo.
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